Se tanto me dói que as coisas passem/ É porque cada instante em mim foi vivo/ Na busca de um bem definitivo/ Em que as coisas de Amor se eternizassem. [Sophia de Mello Breyner Andresen]
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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2007
Futebol de café ou a saga do futebol tuga...

 

Há uns tempos fui até um pequeno café servir de “acompanhante” para ver um jogo de futebol – penso que Sporting-Porto. O ambiente é delicioso para leigas futebolísticas como eu poderem tecer algumas teorias de trazer por casa que fui “ruminando” e que resultam no seguinte texto. Ao observar com atenção à minha volta (e confesso sem quase olhar para a televisão a não ser quando notava uma agitação geral) apercebi-me de várias “tipologias futebolísticas”. Ora vejamos:

- AS ALCOVITEIRAS - A mesa com as três senhoras atrás de mim – claramente não estavam ali para ver futebol, e muito menos para beber o cafezinho da praxe… mas sim para observar cada uma das pessoas que entravam e saiam do café (pessoas que seguiam com o olhar desde que entravam até que se dirigiam à porta de saída). Seguiam-se comentários de grupo. Por vezes um olhar para a televisão para disfarçar. Consigo apostar que nem sabiam o nome dos clubes em campo.

- A CHATA - A mesa com o casal de meia idade – ele quis ver o jogo junto com a restante população masculina, mas ela não foi em cantigas… e vai de fazer o papel de esposa companheira (como ele deve ter ficado satisfeito…). De 20 em 20 minutos tenta uma frase (sempre sem resposta), que mostre estar a par do assunto – “ foi falta” (depois do comentador o dizer) ou “grande jogada”. Mas porque é que esta gente não ouve o programa do Nuno Markl de manhã? Ao menos saberiam como introduzir-se numa conversa de futebol com cultura e classe ;)

- A EXCEPÇÃO - O casal atípico, que entra a meio do jogo e se chega ao balcão. O homem espera o seu café (e não a cerveja) enquanto olha para os panfletos culturais e publicitários que estão espalhados (sem nem sequer olhar para a televisão). Consegue sair do café sem nem perguntar o resultado do jogo (incrível).

- O TIPICO TUGA FUTODEPENDENTE – Sem dúvida a grande maioria dos presentes. Viram as mesinhas estrategicamente para a televisão e sentam-se junto dos da restante espécie (leia-se masculina), para poderem comentar uma jogada sempre que lhes apetecer. Geralmente têm um jornal enrolado em cima da mesa (a Bola ou o Record) e claro, a bela cerveja (variante Imperial ou “mini”). Uns fumam outros não… uns mantêm-se calados todo o jogo (geralmente os que descarregam no cigarrinho), outros não se calam. Uns são pessimistas (“isto já não vai lá”, “olha-me para aquilo….parecem umas meninas”, “bando de rotos”, etc…); outros mantêm a esperança (“ainda falta….”, “a coisa já se endireita”, etc.). Mas mesmo os mais apáticos não conseguem evitar os suspiros ou os “pffff”, “ohhhh”, “haaaaaaa” da praxe. Para os mais expansivos ha sempre o característico murro na mesa ou o levantar na hora do penalti.

Enfim…incompreensível mundo o do futebol com o qual cresci e com o qual hoje continuo a viver…

 

A dona do café… que beleza, dia de jogo é dia de lucro – cervejinha para todos e um petisco se tiver a sorte do jogo calhar na hora do lanche. Junto à altura do intervalo é vê-la agitar-se, fazer-se sentir, mexer em copos e chávenas, de modo a relembrar que está na hora de repor o “stock”. E, a verdade, é que no intervalo os verdadeiros adeptos saem do estado de hipnose e relembram as suas necessidades primárias, sejam elas a cerveja, o cigarro, a comida ou o xixi.

 

O pós-jogo:

Ui, o pós-jogo também tem muito que se lhe diga. Confesso que nessa altura me mantenho quietinha, apenas com os olhos atentos e os ouvidos bem abertos. Tudo depende se se ganha ou se se perde e qual a importância do jogo (sim, o futebol, como qualquer “ciência” tem as suas prioridades). Nota-se, de um modo geral, um descontrair de músculos, uns suspiros (de alivio, de raiva ou contentamento… conforme). Uns saem directo porta fora, seja para irem dar um pontapezinho no caixote do lixo ou descarregar na mulher e nos filhos em casa, seja para comemorar. A maioria prolonga o momento no café…gostam de trocar impressões sobre os golos, ver aquele documentário final, o entregar da taça (quando é o caso), etc. Temos outros que desligam simplesmente (como se tivessem vivido o momento deles e agora voltem à realidade).

 

Ho, maravilhoso mundo o do futebol, que tanto faz os espíritos se exaltarem, que faz abraçares os que não conheces e decorar o hino nacional. Maravilhoso mundo que consegue por momentos por um pais unido, despertar o nacionalismo e olhar com mais atenção a bandeira. Crentes ou descrentes, uma coisa é certa… algo tem de especial. E mesmo para uma leiga como eu (daquelas que só vê os jogos do Benfica e da Selecção, sem ainda conseguir identificar um fora de jogo), não deixa de impressionar.



publicado por paginasdehistoria às 16:14
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Animais...
  




publicado por paginasdehistoria às 00:55
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Quinta-feira, 6 de Setembro de 2007
Cheiro de saudades...














Hit the road jack ...


publicado por paginasdehistoria às 23:59
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Terça-feira, 21 de Agosto de 2007
O sindroma do tupawere

 

Este texto resulta de uma longa experiência de vida e de uma inquietação crescente que vim recalcando e que agora decidi expor ao mundo.

O sindroma do tupawere resume-se a uma estranha fixação por parte das mães e sogras (geração entre os 40 e os 60 anos) por estas caixinhas de nome tupawere. Confesso que fiz pesquisa antes de começar a escrever, porque toda a gente fala delas (ou será eles?) e ninguém sabe ao certo como se escreve… a não ser as senhoras que as vendem por catálogo.

Desde cedo que noto uma preocupação por parte da minha mãe por estes recipientes, não num contexto normal…porque afinal ocupam o mesmo lugar na prateleira ao lado de copos e tachos… Este sindroma revela-se sim, quando, por algum motivo, estas caixinhas se deslocam do seu meio ambiente natural (as ditas prateleiras ou escorredores de louça) para um outro lugar. Quando por acaso a tupawere vai para uma outra casa, seja a dos filhos ou a dos amigos dos filhos, nota-se uma situação típica: antes de sair da casa da progenitora a tupawere é olhada com ar de preocupação e acompanhada pela seguinte frase “não te esqueças de me trazer a tupawere de volta”. É também frequente ouvir frases do género “não tenho nenhuma como essa” ou “essa é a melhor que tenho”.

A partir desse momento, começa a “saga do tupawere”… todos os dias, muitas vezes mais do que uma vez por dia ouve-se a seguinte frase “o meu tupawere?”. Tudo isto seria considerado normal, se não se revelasse frequente em várias pessoas, geralmente de estatuto comum…. as mães!!!

Esta situação começou a inquietar-me ainda mais, quando me tornei por assim dizer “independente”. Quando me mudei para um espaço próprio e tive que trazer comigo algumas dessas tupaweres (juntas ao longo dos anos naquela instituição de nome “enxoval”) comecei a olhar estas caixas com mais atenção. Quando por acaso uma das minhas tupaweres se deslocou da minha casa para a casa da minha mãe cheguei a dizer por graça “não te esqueças de me devolver o meu tupawere”…e por graça ou não, senti que isso me assustava.

Será que, ao longo dos anos algo muda dentro de nós e nos faz ter este sentimento possessivo por as ditas tupaweres? Será que, tal como o relógio biológico, acordamos um dia e as olhamos de forma diferente? Bolas, isto é realmente assustador!

Ainda não senti aquele “click” do relógio biológico e sinceramente, espero que este venha antes do “click” da tupawere, porque afinal…. tupaweres nós podemos comprar toda a vida e em qualquer loja chinesa perto de nós (se estivesse aqui a minha mãe diria… “mas as tupaweres originais, de marca…. são melhores, duram uma vida…”). Ok ok, mas mesmo assim…

O que será que justifica este fenómeno?

Gostava muito de dedicar este texto a todas as mães que se identificam nas minhas palavras e, claro… a todos os filhos que já por mais que uma vez ouviram “não te esqueças do meu tupawere””. E já agora…. se me puderem esclarecer quanto aos reais impulsos destes sintomas … ;)

 Beijinhos e… se quiserem evitar tudo isto, quando for possível, optem pelo papel de alumínio (ocupa menos espaço, não é preciso lavar e é só deitar fora depois!) *



 




publicado por paginasdehistoria às 14:09
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Terça-feira, 14 de Agosto de 2007
O quanto te amo...
Amo-te quanto em largo, alto e profundo
A minha alma alcanca quando, transportada,
Sente, alongando aos olhos deste mundo,
Os fins do Ser, a graca entressonhada.
Amo-te em cada dia, hora e segundo:
A luz do sol, na noite sossegada.
E e tao pura a paixao de que me inundo
Quanto o pudor dos que nao pedem nada.
Amo-te com o doer das velhas penas;
Com risos, com lagrimas de prece,
E a fe da minha infancia, ingenua e forte.
Amo-te ate nas coisas mais pequenas.
Por toda a vida. E, se assim Deus o quiser,
Ainda mais te amarei depois da morte.

(Elizabeth Barrett Browning)


publicado por paginasdehistoria às 13:49
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Quarta-feira, 4 de Julho de 2007
MUDANÇA...

Tempo de mudança...

mudança de casa, de trabalho, de hábitos... às vezes a vida assim o exige. Por vezes sentes necessidade de mudar, de dar uma volta de 180º já que simplesmente não podes pegar nas tuas malinhas e viajar para bem longe com a companhia desejada... Então, como sempre, procuras novas soluções... Se vais ter sucesso ou não, se a tua vida vai melhorar... isso só o futuro o dirá. Mas, o importante é adormecer com a sensação de dever cumprido... dever de tentar melhorar.
Chegas a um ponto da tua vida em que exiges mais de ti... em que não te contentas com o ver o tempo passar. Tornas-te uma pessoa melhor... ou tentas...
De repente as coisas transformam-se e ganham uma maior dimensão...
Esta sensação agrada-me... adoro agarrar a vida com força e ter a sensação que a transformo, que a melhoro... embora seja ao mesmo tempo assustador, como se desafiasse algo sobre o qual não tenho poder. Mas, se pensarmos que o objectivo é a felicidade, então... não chega a ser "pecado"...
Hoje agradeço à vida as oportunidades que me tem dado... as pessoas que tem colocado no meu caminho... e a calma com que me tem permitido viver tudo isto. A paz interior é um bem precioso... a que cada vez mais dou valor. E mesmo em momentos de maior agitação e mudança, há um fundo de tranquilidade, uma base que para mim é essencial.
Agradeço a oportunidade de viver tudo isto... Apenas desejo aproveitar cada momento, continuando a dar de mim o melhor que posso para continuar a ser feliz...acreditando que essa é a única resposta possível.


música: "Dancing with myself", Nouvelle Vague

publicado por paginasdehistoria às 21:45
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Estado de espirito...

 


publicado por paginasdehistoria às 21:13
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Quarta-feira, 6 de Junho de 2007
Ser feliz...
"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-se autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta .
Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo... "

Fernando Pessoa


publicado por paginasdehistoria às 17:15
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Quarta-feira, 9 de Maio de 2007
Apenas para te dizer...
Eu quero dizer-te tanto... as palavras prendem-se em mim, não porque não sejam sentidas, mas porque a emoção não as deixa fluir. Mas quero dizer-te... não por escrito, mas olhando nos teus olhos aquilo que significas para mim, no meu mundo, na minha vida... simplesmente em mim.
Sei que caio no erro de me repetir, mas não é isso que me vai fazer deixar de dizer vezes sem conta a pessoa única que és e o quanto me fazes sentir especial... completa... amada.
Simplesmente porque gosto de ti desta forma que me enche o coração te escrevo hoje, amanhã e enquanto assim o desejares. Porque és tanto, és parte de mim e juntos, sei que temos uma história linda, daquelas que fazem sorrir.
É raro faltarem-me as palavras, mas tenho tanto para te dizer, para te dar...que a vida não chega. Mas... temos tempo... o tempo que ao teu lado é eterno. Eterno em cada por do sol, cada vez que vemos o mar, que saboreamos o silêncio lado a lado. Um tempo que me faz querer entregar nos teus braços por muito e muito tempo.
As tuas palavras, cada vez que me falas, tocam-me a alma, fazem-me sonhar... deliciam-me com um mundo até então desconhecido. Hoje, sei que conhecer-te foi uma das coisas mais bonitas que aconteceram na minha vida.
Quero que acredites em mim mais uma vez... quando a emoção me deixar falar e dizer-te aquilo que sinto por ti... Gosto tanto, mas tanto de ti... meu namorado, meu amigo, meu companheiro, meu amor...


publicado por paginasdehistoria às 18:18
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Quarta-feira, 2 de Maio de 2007
Menina...

 

Menina grande, menina que chora, que tem medo, que está dependente, que treme de emoção, que sorri quando as folhas caem das árvores, quando vê o arco-iris ou quando escuta o calmo rebentar das ondas na areia da praia. Menina que canta no banho, que dança à chuva, que ama de forma inocente e que chora de alegria e de tristeza. Menina grande, sensível, apaixonada pelas coisas simples e pela vida. Menina que suspira, que sente e que ri com coisas mais tolas. Menina grande… que vive num mundo feito à sua medida… de cor rosa sim, cheio de amor e de fantasia… à medida dos seus sonhos…porque só assim sabe ser feliz.



publicado por paginasdehistoria às 12:03
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