. Futebol de café ou a saga...
Há uns tempos fui até um pequeno café servir de “acompanhante” para ver um jogo de futebol – penso que Sporting-Porto. O ambiente é delicioso para leigas futebolísticas como eu poderem tecer algumas teorias de trazer por casa que fui “ruminando” e que resultam no seguinte texto. Ao observar com atenção à minha volta (e confesso sem quase olhar para a televisão a não ser quando notava uma agitação geral) apercebi-me de várias “tipologias futebolísticas”. Ora vejamos:
- AS ALCOVITEIRAS - A mesa com as três senhoras atrás de mim – claramente não estavam ali para ver futebol, e muito menos para beber o cafezinho da praxe… mas sim para observar cada uma das pessoas que entravam e saiam do café (pessoas que seguiam com o olhar desde que entravam até que se dirigiam à porta de saída). Seguiam-se comentários de grupo. Por vezes um olhar para a televisão para disfarçar. Consigo apostar que nem sabiam o nome dos clubes em campo.
- A CHATA - A mesa com o casal de meia idade – ele quis ver o jogo junto com a restante população masculina, mas ela não foi em cantigas… e vai de fazer o papel de esposa companheira (como ele deve ter ficado satisfeito…). De 20 em 20 minutos tenta uma frase (sempre sem resposta), que mostre estar a par do assunto – “ foi falta” (depois do comentador o dizer) ou “grande jogada”. Mas porque é que esta gente não ouve o programa do Nuno Markl de manhã? Ao menos saberiam como introduzir-se numa conversa de futebol com cultura e classe ;)
- A EXCEPÇÃO - O casal atípico, que entra a meio do jogo e se chega ao balcão. O homem espera o seu café (e não a cerveja) enquanto olha para os panfletos culturais e publicitários que estão espalhados (sem nem sequer olhar para a televisão). Consegue sair do café sem nem perguntar o resultado do jogo (incrível).
- O TIPICO TUGA FUTODEPENDENTE – Sem dúvida a grande maioria dos presentes. Viram as mesinhas estrategicamente para a televisão e sentam-se junto dos da restante espécie (leia-se masculina), para poderem comentar uma jogada sempre que lhes apetecer. Geralmente têm um jornal enrolado em cima da mesa (a Bola ou o Record) e claro, a bela cerveja (variante Imperial ou “mini”). Uns fumam outros não… uns mantêm-se calados todo o jogo (geralmente os que descarregam no cigarrinho), outros não se calam. Uns são pessimistas (“isto já não vai lá”, “olha-me para aquilo….parecem umas meninas”, “bando de rotos”, etc…); outros mantêm a esperança (“ainda falta….”, “a coisa já se endireita”, etc.). Mas mesmo os mais apáticos não conseguem evitar os suspiros ou os “pffff”, “ohhhh”, “haaaaaaa” da praxe. Para os mais expansivos ha sempre o característico murro na mesa ou o levantar na hora do penalti.
Enfim…incompreensível mundo o do futebol com o qual cresci e com o qual hoje continuo a viver…
A dona do café… que beleza, dia de jogo é dia de lucro – cervejinha para todos e um petisco se tiver a sorte do jogo calhar na hora do lanche. Junto à altura do intervalo é vê-la agitar-se, fazer-se sentir, mexer em copos e chávenas, de modo a relembrar que está na hora de repor o “stock”. E, a verdade, é que no intervalo os verdadeiros adeptos saem do estado de hipnose e relembram as suas necessidades primárias, sejam elas a cerveja, o cigarro, a comida ou o xixi.
O pós-jogo:
Ui, o pós-jogo também tem muito que se lhe diga. Confesso que nessa altura me mantenho quietinha, apenas com os olhos atentos e os ouvidos bem abertos. Tudo depende se se ganha ou se se perde e qual a importância do jogo (sim, o futebol, como qualquer “ciência” tem as suas prioridades). Nota-se, de um modo geral, um descontrair de músculos, uns suspiros (de alivio, de raiva ou contentamento… conforme). Uns saem directo porta fora, seja para irem dar um pontapezinho no caixote do lixo ou descarregar na mulher e nos filhos em casa, seja para comemorar. A maioria prolonga o momento no café…gostam de trocar impressões sobre os golos, ver aquele documentário final, o entregar da taça (quando é o caso), etc. Temos outros que desligam simplesmente (como se tivessem vivido o momento deles e agora voltem à realidade).
Ho, maravilhoso mundo o do futebol, que tanto faz os espíritos se exaltarem, que faz abraçares os que não conheces e decorar o hino nacional. Maravilhoso mundo que consegue por momentos por um pais unido, despertar o nacionalismo e olhar com mais atenção a bandeira. Crentes ou descrentes, uma coisa é certa… algo tem de especial. E mesmo para uma leiga como eu (daquelas que só vê os jogos do Benfica e da Selecção, sem ainda conseguir identificar um fora de jogo), não deixa de impressionar.
Este texto resulta de uma longa experiência de vida e de uma inquietação crescente que vim recalcando e que agora decidi expor ao mundo.
O sindroma do tupawere resume-se a uma estranha fixação por parte das mães e sogras (geração entre os 40 e os 60 anos) por estas caixinhas de nome tupawere. Confesso que fiz pesquisa antes de começar a escrever, porque toda a gente fala delas (ou será eles?) e ninguém sabe ao certo como se escreve… a não ser as senhoras que as vendem por catálogo.
Desde cedo que noto uma preocupação por parte da minha mãe por estes recipientes, não num contexto normal…porque afinal ocupam o mesmo lugar na prateleira ao lado de copos e tachos… Este sindroma revela-se sim, quando, por algum motivo, estas caixinhas se deslocam do seu meio ambiente natural (as ditas prateleiras ou escorredores de louça) para um outro lugar. Quando por acaso a tupawere vai para uma outra casa, seja a dos filhos ou a dos amigos dos filhos, nota-se uma situação típica: antes de sair da casa da progenitora a tupawere é olhada com ar de preocupação e acompanhada pela seguinte frase “não te esqueças de me trazer a tupawere de volta”. É também frequente ouvir frases do género “não tenho nenhuma como essa” ou “essa é a melhor que tenho”.
A partir desse momento, começa a “saga do tupawere”… todos os dias, muitas vezes mais do que uma vez por dia ouve-se a seguinte frase “o meu tupawere?”. Tudo isto seria considerado normal, se não se revelasse frequente em várias pessoas, geralmente de estatuto comum…. as mães!!!
Esta situação começou a inquietar-me ainda mais, quando me tornei por assim dizer “independente”. Quando me mudei para um espaço próprio e tive que trazer comigo algumas dessas tupaweres (juntas ao longo dos anos naquela instituição de nome “enxoval”) comecei a olhar estas caixas com mais atenção. Quando por acaso uma das minhas tupaweres se deslocou da minha casa para a casa da minha mãe cheguei a dizer por graça “não te esqueças de me devolver o meu tupawere”…e por graça ou não, senti que isso me assustava.
Será que, ao longo dos anos algo muda dentro de nós e nos faz ter este sentimento possessivo por as ditas tupaweres? Será que, tal como o relógio biológico, acordamos um dia e as olhamos de forma diferente? Bolas, isto é realmente assustador!
Ainda não senti aquele “click” do relógio biológico e sinceramente, espero que este venha antes do “click” da tupawere, porque afinal…. tupaweres nós podemos comprar toda a vida e em qualquer loja chinesa perto de nós (se estivesse aqui a minha mãe diria… “mas as tupaweres originais, de marca…. são melhores, duram uma vida…”). Ok ok, mas mesmo assim…
O que será que justifica este fenómeno?
Gostava muito de dedicar este texto a todas as mães que se identificam nas minhas palavras e, claro… a todos os filhos que já por mais que uma vez ouviram “não te esqueças do meu tupawere””. E já agora…. se me puderem esclarecer quanto aos reais impulsos destes sintomas … ;)
Beijinhos e… se quiserem evitar tudo isto, quando for possível, optem pelo papel de alumínio (ocupa menos espaço, não é preciso lavar e é só deitar fora depois!) *


Menina grande, menina que chora, que tem medo, que está dependente, que treme de emoção, que sorri quando as folhas caem das árvores, quando vê o arco-iris ou quando escuta o calmo rebentar das ondas na areia da praia. Menina que canta no banho, que dança à chuva, que ama de forma inocente e que chora de alegria e de tristeza. Menina grande, sensível, apaixonada pelas coisas simples e pela vida. Menina que suspira, que sente e que ri com coisas mais tolas. Menina grande… que vive num mundo feito à sua medida… de cor rosa sim, cheio de amor e de fantasia… à medida dos seus sonhos…porque só assim sabe ser feliz.
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